à margem de nós mesmos

January 23rd, 2010

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

O cliente problema tem um site tosco e muito mal feito por outra agência. Agência maior e ruim. Chegou com uma promessa de que faria um redesign com a gente e nada. Deixou a proposta de lado e foi direto para  a fase do rame-rame, manutençãozinha besta, pouca grana e muita chateação.

O cliente problema não sabe operar a ferramenta de manutenção do site tosco e mal feito. Em parte porque a ferramenta, assim como o site, também é tosca e mal feita. Em parte porque o cliente é tecnologicamente burro (vou me ater ao aspecto tecnológico por respeito). Em parte também porque, até eu dizer, o cliente problema não sabia que o seu site tosco tinha uma ferramenta tosca de atualização. O que me leva, novamente, à questão da burrice.

Pois bem. Por não saber operar a ferramenta tosca de manutenção, o cliente problema pede que eu opere para ele. “Dá pra inserir uma imagem? Dá pra publicar uma notícia”. Eu digo que dá. Ele pode operar a ferramenta tosca sozinho através do link tal ou me pagar 10 centavos que eu faço pra ele.

Toca o telefone e é o cliente problema.

- Vi aqui o seu preço inserir a imagem.

- Sim?

- 10 centavos… mas você disse que dá pra eu inserir a imagem né?

- É, dá. O site tem uma ferramenta, é só entrar no link que eu indiquei e publicar a imagem.

- Hm… será então que amanhã eu posso te ligar e você me ensina a publicar? Porque aí se der algum problema…

- Vocês não preferem que eu insira? Sairia por 10 centavos só…

- É… eu sei… mas é que a gente tá querendo cortar custos…

- Entendo. Só que aí eu vou gastar uma hora minha de trabalho para te ensinar a usar uma ferramenta que não foi desenvolvida por mim e não vou receber nada por isso, né Fulana?

- Ahm… é… tem sentido. Bem, eu vou ver aqui e te digo.

O cliente tosco não ligou de novo e a imagem problema ainda não foi publicada no site burro.

Jacko vai deixar saudades

June 25th, 2009

Michael Jackson & Bubbles - Jeff Koons

Lembra onde você estava quando viu o clipe de Thriller pela primeira vez? E das primas com 7 anos dançando Beat It? Eu lembro. Michael Jackson fez parte importante da vida de quem cresceu nos anos 80. Rei do Pop merecidamente. Então faça uma última homenagem ao pedófilo mais adorável que já existiu e vai ouvir Smooth Criminal, a minha preferida, no Youtube (já que ele não deixa embedar aqui).

Tempo

May 12th, 2009

Após doze anos de trabalho e, principalmente, após os últimos exaustivos seis anos em que trabalhei quase todos os finais de semana, sem perspectiva de enriquecimento e sem colher grande satisfação no que eu faço, finalmente cheguei ao ponto em que percebi que não faz sentido trabalhar finais de semana para atender clientes incapazes de se planejarem para contratar o meu trabalho com uma antecedência mínima, o  que permitiria a criação do projeto com prazo e qualidade aceitáveis. Até mesmo porque tamanho sacrifício de vida nunca é recompensado por um pagamento que compense o tempo perdido (se é que existe dinheiro que substitua tempo, já que é o que temos de mais valioso e escasso – enquanto dinheiro você encontra facilmente por aí, até mesmo caído nas ruas ou nos bolsos dos mendigos).

Demorou mas aprendi.

A verdade é que ninguém se planeja e todo mundo tem pressa. Depois que eu terminar o projeto de um cliente sem prazo virá outro projeto sem prazo de outro cliente com pressa. E outro e outro. Não dá pra esperar pra viver quando acabar a toda pressa de todos.

Fiquei pensando nisso depois de receber um e-mail de um possível cliente, escrito às 23h pedindo que eu ligasse urgentemente – até 2h da manhã – para marcar uma reunião que poderia ser marcada amanhã de manhã. Ignoro. Esse mesmo possível cliente escreveu domingo, Dia das Mães, às 12h, pedindo que eu escrevesse urgentemente enviando meu celular para que ele pudesse me ligar. Ignoro. Prefiro que não seja efetivamente cliente do que ter que encarar tanta ansiedade e desorganização.

Esse possível cliente me fez lembrar de outro possível cliente que, após receber a proposta, além de pedir o tradicional desconto disse que precisaríamos reduzir o prazo. “Qual é a sua política de finais de semana?” teve a cara de pau de perguntar durante um telefonema. Bem, a minha política é simples: eu vivo, descanso e faço o possível para esqueçer completamente que os clientes existem.

Memória

November 29th, 2008

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Drummond, claro. E agora chega.)

歯車のハート

November 8th, 2008

Cibelle – Green Grass

October 31st, 2008


Cibelle – Green Grass – Official Video from Gustavo Guimaraes on Vimeo.

Também sou hype

October 14th, 2008


Momo from che-wei wang on Vimeo.

Santana vermelho

September 25th, 2008

— Se vai ouvir tem que ouvir sério!
— Ta, tá, eu ouço, eu ouço!
— São os meus sentimentos cara…
— Eu sei, pode deixar… Mas é que ouvir sonho dos outros é uma das coisas mais chatas que tem. Tipo, não diz respeito a mais ninguém a não ser a própria pessoa que sonhou…
— Porra. Vai ouvir?
— Eu ouço, vai… Então foram dois, qual foi o de ontem?
— No de ontem eu tinha comprado um Santana. Tipo, um Santana 85… Vermelho…
— Porra! Porquê?
— Era uma das questões do sonho. Mas aí eu pegava o carro, mas não saia da loja dirigindo… Um cara meio malandro que dirigia, me levou pra abastecer em um posto meio estranho. Na saída o carro já não pegava direito e eu percebi: tinha comprado um ex-táxi do aeroporto!
— Putz, daqueles vermelhos? Coopertramo?
— Transcopass. Acho que o vermelho é o Transcopass.
— Que merda hein?
— Pois é… Aí esse foi um dos sonhos.
— Só isso? Esse foi fácil. E o outro?
— Bem, o outro foi anteontem. Eu tava casando com a Malu Mader.
— Malu Mader?
— Pois é. Com tanta atriz gostosa pra sonhar fui sonhar logo que tava casando com a Malu Mader que eu nunca liguei. Vai entender!
— Queria entender é porque diabos a Malu Mader casaria com você!
— Pois é, pois é, mas aí é que tá a questão… A Malu Mader era louca!
— Ahá, só sendo mesmo!
— Sério, era louca. E todo mundo achava que ela era mais louca ainda de estar casando comigo. Eu, todo inadequado, sem ser famoso, sem roupa para casar… Acredita que na hora da cerimônia eu não tinha nem roupa para casar!
— É mesmo?
— É, mas aí me apresentaram o Paulo Barros, aquele carnavalesco, e ele arrumou um fraque pra mim…
— Ah, ele tava lá?
— Tava. Gente boa!
— Eles são amigos?
— Não sei…
— Hmm… E você casando de fraque com a Malu Mader…
— Pois é, todo inadequado, envergonhado de sair nas revistas de fofoca. Mas ao mesmo tempo também tava gostando porque que pelo menos eu ia ficar um tempo morando na aba da Malu Mader. Ela me sustentando, indo para a Ilha de Caras…
— Hmm… Então você tava casando com a Malu Mader louca, mesmo sem gostar dela, só pra aproveitar o dinheiro e fama dela?
— É. E então, o que você acha?
— Acho que são dois casos de maus negócios… Você trocando o seu carro por um ex-táxi e a Malu Mader trocando o Toni Belotto por você.